sexta-feira, 20 de abril de 2012
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Uma esperança...
Pensar as possibilidades de nos exprimirmos e criarmos suportes imaginativos ao serviço de comunidades educativas também é considerar a consistência do que sabemos ser. Vivemos durante décadas no reino que sonhava a escola como uma luta de classes, onde todos seriam excelentes, numa sociedade moralmente relacionada com um facilitismo imprudente. Perguntamo-nos muitas vezes porque não sabemos ser competitivos e audazes como sociedade se acedemos a ferramentas semelhantes e se vivemos no mesmo mundo.
Durante anos alguns pensaram que o País apenas precisava de paradigma novo, uma espécie de oráculo que no fim alguma inteligente e bem preparada classe política acabaria por perceber. Parecia simples e era apenas uma questão de paciência até termos uma oportunidade de experimentar a simplicidade de lutar pelo estudo, pelo trabalho, pelo saber fazer, pelo mérito. Neste País onde o real não se inscreve na vida quotidiana e na vida pública, o prazer do saber, o gosto pelo belo e pelo admirável acabaria por triunfar.
É triste dizê-lo. Mas o conjunto de individualidades que governa o País e em especial o actual ministro que parecia tão bem preparado para perceber que a educação é realmente o factor transformador, apenas gere uma máquina calculadora. Os desastres comunicacionais, as opções contra as pessoas e contra o território, as escolhas educativas contra áreas vitais da aprendizagem (artes, tecnologia, dimensão de turmas) mostra-nos que este paradigma de uma sociedade evoluída e esclarecida são ilusões. O valor, o saber, que podia e devia estar associado à realização de provas de exigência são um álibi para se manter a mesma falta de decência para o que significa um regime democrático.
Resta uma pergunta. O que tem isto a ver com blogues e o digital? Tudo. Nós estamos a tentar perceber como funcionam os circuitos binários da comunicação, dos media, da expressão de valores e ideias partilhadas e colaborativas, ao mesmo tempo que se apresenta um patamar de subdesenvolvimento em relação às pessoas, aos recursos humanos não valorizados e ao funcionamento de espaços sem o essencial. Ainda não sabemos ser essa ousadia da companhia solitária e atenta do livro que se descobre e pensa.
As decisões nunca são questionadas sobre a sua própria moralidade e vivemos tanto de Democracia, como os últimos imperadores do Império Romano, guardando as colunas do passado face ao futuro que não experimentamos. As Bibliotecas Escolares e as Escolas estão prisioneiras de um País sem visão e isso também tem muito que ver com a utilização do digital. As reais possibilidades do digital nas escolas está carente de um investimento nos aspectos simbólicos e não se construirá apenas pela existência de infraestruturas tecnológicas. Aguardemos que um dia esta simplicidade seja perceptível, para que a escola seja realmente um espaço de comunicação e de transformação de possibilidades.
(Imagem, via booklover.tumblr.com)
terça-feira, 10 de abril de 2012
Práticas educativas e o digital
Numa formação de Web 2.0 faz todo o sentido pensar e reflectir sobre que relações podemos estabelecer entre as práticas educativas e o uso das ferramentas digitais. Apesar de todo o conhecimento acumulado nós, como sociedade não temos a mínima noção sobre o que nos trará o futuro da educação. Não sabemos que organização funcional terão as profissões no anos adiante, nem que tipo de evolução económica viveremos. Temos, pois na educação, como na sociedade uma imensa imprevisibilidade. Apesar de tudo, sabemos algumas coisas.
Sabemos que as tecnologias digitais são um suporte às transformações sociais e culturais que vamos vivendo. Sabemos que estas ferramentas favorecem a comunicação e alargam as possibilidades formativas dos alunos. Sabemos que a educação e o trabalho se desenvolvem em quadros colaborativos, de construção pessoal de identidades e de afirmação de suportes criativos. Mas há questões a colocar.
É necessário perguntar, que relação temos entre o uso das tecnologias educativas e o sucesso nos resultados escolares, na pluralidade das aprendizagens? Esta questão conduz-nos à questão essencial, está o digital a transformar o currículo e a qualidade do aprender na escola? Que implicação na aprendizagem e nos métodos tiveram programas como o PTE ou o E-Escolas? Foram mais que infraestruturas tecnológicas? Estavam suportadas pela motivação simbólica de pensar os conteúdos da aprendizagem também pelos necessários resultados escolares?
E uma última questão essencial. Houve envolvência da gestão das escolas/agrupamentos pela necessária liderança de projectos educativos que vissem nelas, oportunidades de aprendizagem, formas diferenciadas de construir conhecimento em suportes novos de expressão de valor e de capacidade? Houve o sentido de utilizar o digital como modo de comunicar na escola e com o meio social e cultural que a rodeia?
Estas são questões que nos mostram que as práticas educativas no digital são um meio que carece de entusiasmo, vontade e criatividade que entre nós estão muito longe de uma aproximação ao essencial, para que sejam ferramentas de transformação. Sem conteúdo simbólico, as ferramentas digitais serão uma vista agradável, interessante, uma espécie de "Peter Pan" do nosso deslumbramento, mas pouco acrescentarão à necessária possibilidade de aprender e participar numa sociedade dominada pela informação.
Estas são questões que nos mostram que as práticas educativas no digital são um meio que carece de entusiasmo, vontade e criatividade que entre nós estão muito longe de uma aproximação ao essencial, para que sejam ferramentas de transformação. Sem conteúdo simbólico, as ferramentas digitais serão uma vista agradável, interessante, uma espécie de "Peter Pan" do nosso deslumbramento, mas pouco acrescentarão à necessária possibilidade de aprender e participar numa sociedade dominada pela informação.
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